O que é um sonho? Impossível não refletir sobre isso ao conhecer o Museu Asas de um Sonho, em Itu (SP) e viajar na incrível capacidade do ser humano de transformar ideias em realidade.
A pioneira Ada Rogato, o visionário Comandante Rolim, o genial Santos Dumont, a história deles vai fazer você se apaixonar pela possibilidade de voar alto na vida. São 5 exposições de pura inspiração!
Santos Dumont - Pioneiros da Aviação
Dizem que um sonho sem ação não passa de uma fantasia, e quando olhamos para a linha do tempo dos dirigíveis de Santos Dumont no museu, com todas as histórias e perrengues que ele e equipe passaram para tirar do chão os primeiros protótipos até chegar no 14 Bis (o primeiro avião do mundo), é como se nos mostrasse um manual de como pegar uma visão e torná-la real.
Santos Dumont era gênio: idealizava, desenhava, projetava, construía, voava, testava, caía, levantava e não desistia jamais! A exposição é uma verdadeira aula de empreendedorismo e ousadia.
Réplicas de aviões em tamanho real deixam a visita à exposição de Santos Dumont ainda mais emocionante.
Debate histórico sobre a autoria do "Primeiro avião do mundo"
Sim, o 14-Bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, é considerado por muitos o primeiro avião do mundo, tendo feito em 1906 um voo público e autônomo homologado pela Federação Aeronáutica Internacional. Dumont voou cerca de 60 metros a uma altura de 2 a 3 metros do solo.
Há um debate histórico, pois os irmãos Orville e Wilbur Wright, nos Estados Unidos, construíram o Flyer, que voou em 1903, mas sem homologação ou demonstração pública. Além disso, a invenção dos irmãos Wright dependia de uma catapulta para decolar.
E o que dizer do Ornitóptero, projetado por de Leonardo da Vinci? A máquina voadora do gênio renascentista foi inspirada no bater de asas dos pássaros e morcegos, com asas mecânicas acionada por pedais e alavancas. Mas no século XV, a tecnologia não permitia a construção de uma máquina com a força e velocidade necessárias para que o ser humano batesse as asas e se mantivesse no ar. Tataravô da Aviação?
E Ícaro?
É fato: a paixão do homem pela ideia de voar vem de longa data. E foi Santos Dumont que conseguiu projetar um modelo precursor das aeronaves nas quais voamos hoje. Inspirado por Julio Verne, Da Vinci, pássaros, borboletas? Sim. Mas é sobre sonhar e tornar real. E isso, meus senhores, foi o brasileiro que foi lá e fez golaço.
Maquete do 14 Bis (há uma réplica em tamanho real no museu também)
As peripécias de Santos Dumont e seus dirigíveis
No museu Asas de um Sonho fica bem claro o que se passava no início do século XX: uma verdadeira Corrida Maluca nas alturas onde vários inventores, cada um com ideias mirabolantes, testavam modelos e protótipos e geringonças voadoras. Confesso que amei essa parte no museu, impossível parar de ler a linha do tempo das invenções: cada história!
Me diverti com os registros, sobretudo os recortes de jornais com as peripécias de Santos Dumont (confira na Galeria de Fotos). A população se tornava tipo torcida de futebol, cada dirigível que ele tirava do solo (e às vezes caía até em cima de castelos), a aventura saía na imprensa e as pessoas acompanhavam, comentavam, vibravam, se reuniam para vê-lo passar. Era um evento!
Pense que, naquela época, a ideia de algo mais pesado que o ar flutuar carregando seres humanos, como meio de transporte, era revolucionária.
Baladeuse, o dirigível que Santos Dumont usava para ir a restaurantes, ao mercado e voar sobre Paris.
Há um episódio hilário onde ele sobrevoava Paris e viu, lá do alto, uns amigos passeando na rua. Os rapazes o chamaram brincando “desce aqui pra tomar uma com a gente” (em francês, claro).
Santos Dumont, exibindo o completo controle do novo balão dirigível (os primeiros protótipos voavam ao sabor do vento), fez uma exímia manobra e pousou no meio da avenida, unindo-se ao grupo para um café.
Óbvio que a imprensa local ia à loucura!
Se hoje a gente sonha em fazer isso com drones, imagina que Santos Dumont se locomovia com o petit Baladeuse ou “Passeadora” (seu dirigível nº 9) em 1903!
A "Passeadeira" foi um de seus maiores sucessos.
Santos Dumont dividia seus prêmios com a equipe
Outro episódio que adorei foi sobre a controvérsia do Prêmio Deutsch de la Meurthe e o tapa de pelica na cara da sociedade. Eu conto:
Em 1900, um magnata do petróleo francês instituiu um prêmio de 100.000 francos-ouro para o primeiro aviador que conseguisse a volta na Torre Eiffel e retornar ao ponto de partida (em Saint-Cloud) em menos de 30 minutos. Na época, era uma bela quantia até para uma pessoa rica.
Em 19 de outubro de 1901, Santos Dumont fez o percurso em 29´30”, mas a comissão julgadora questionou a cronometragem, alegando instruções de pouso e decolagem que não constavam no regulamento inicial. Após intensa discussão pública e o apoio da opinião popular e da imprensa, o Aero Club da França confirmou sua vitória.
Num gesto de generosidade, Santos Dumont dividiu metade do prêmio com sua equipe de mecânicos e operários e a outra metade doou aos pobres de Paris, consolidando sua imagem de herói popular.
Galeria de Fotos
Curiosidades sobre Santos Dumont
- Mecânica no sangue e berço de ouro: Nascido na Fazenda Cabangu (MG), era filho de Francisca Santos Dumont e Henrique Dumont, engenheiro e dono de uma das maiores fazendas de café do Brasil, equipada com ferrovias próprias e máquinas modernas. Desde cedo, o jovem Alberto tinha uma curiosidade insaciável por mecânica. Passava dias na oficina da fazenda desmontando e remontando motores a vapor, locomotivas e equipamentos agrícolas. A experiência com máquinas complexas, aliada ao estímulo paterno, forjou sua mente inventiva e habilidade única em compreender e manipular sistemas mecânicos que seriam cruciais ao desenvolvimento de suas aeronaves.
- Casa-Ateliê: Na residência da Avenue des Champs-Élysées, em Paris, a cama, a banheira e até a mesa de jantar de Dumont eram suspensas por roldanas e contrapesos, permitindo que as abaixasse ou levantasse, maximizando espaços. A paixão por otimizar processos alavancava sua reputação de homem que vivia o futuro no cotidiano.
Relógio de pulso Cartier, feito especialmente para Santos Dumont olhar as horas durante um voo.
- Pioneiro do Relógio de Pulso: Santos Dumont tinha um estilo impecável. Em 1904, com dificuldade de consultar o relógio de bolso durante os voos, pois as mãos ficavam ocupadas com os controles, expressou a necessidade ao amigo joalheiro Louis Cartier. Cartier criou o protótipo de um pequeno relógio com uma pulseira de couro e uma fivela, que podia ser amarrado ao pulso. Foi o primeiro relógio de pulso prático e elegante, que permitia a Dumont cronometrar voos sem desviar a atenção. O "Santos", como o modelo ficou conhecido, tornou-se um sucesso entre os homens da alta sociedade, popularizando o uso do relógio de pulso antes predominantemente feminino.
- Fama e prestígio: Nada de inventor recluso, Santos Dumont era uma celebridade. Suas audácias nos céus e personalidade carismática o tornaram figura adorada pela sociedade parisiense. Frequentava salões badalados, restaurantes sofisticados e clubes exclusivos. Amigo de artistas, aristocratas e intelectuais, sua casa e oficina eram visitadas por jornalistas e admiradores. Essa visibilidade social dava acesso a recursos, contatos e uma plataforma para divulgar seus feitos e a importância da aviação.
- Paixão pela aviação: Santos Dumont dedicou a vida à experimentação aeronáutica. Solteiro e sem herdeiros, considerava seus balões e aviões seus "filhos". Investiu todo seu tempo, energia e recursos financeiros, oriundos da fortuna de sua família no café, na realização de seus sonhos voadores. Insight: será por isso, também, o apelido “Pai da Aviação”?
- Pacifista: A I Guerra Mundial (1914-1918) foi um golpe devastador para este pacifista convicto. A ideia de suas máquinas voadoras, idealizadas para unir povos, serem instrumentos de morte o deprimiu profundamente. Sua saúde deteriorou-se. Somada à depressão, a esclerose múltipla afetou sua coordenação motora e a capacidade de inventar. A imagem de aviões bombardeando cidades o atormentava, expressando grande arrependimento por suas criações. De volta ao Brasil, refugiou-se em Petrópolis (RJ), mas a dor pelo destino de sua invenção permaneceu. Em 1932, suicídio foi o trágico epílogo para a vida deste gênio que levou a humanidade ao céu, mas se viu destruído pela própria invenção usada para a guerra.
São 5 exposições abertas ao público
Mirage da FAB em que Ayrton Senna quebrou a barreira do som.
A “Santos Dumont – Pioneiros da Aviação” é apenas uma das exposições sobre aviação que você vai encontrar no Museu Asas de um Sonho. São elas:
Santos Dumont – Pioneiros da Aviação
Sikorsky – Guardião dos Mares
Mirage III – Um Tricampeão no Comando
Rolim – The Magic Red Carpet
Ada Rogato – A Pioneira
Espaços do Centro Cultural
Os espaços do Centro Cultural Fábrica São Pedro voltados à arte, cultura, lazer e gastronomia são:
Arte
Museu FAMA
Ateliê Kobra
Ateliê Mestre Alvino
Ateliê Gabriel Ambrósio
Ateliê Guilherme Kramer
Dan Galeria Sala São Pedro
Duo Espaço de Arte
Aviação
Museu Asas de Um Sonho
Design
Ana Verona
Turbo Design
Homenco Antiguidades
Gastronomia
Cozinha São Pedro
Espaço de Eventos
Quintas São Pedro
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